Spiritus Bairradae | Folia Nova
A primeira edição do ciclo de concertos de música erudita Spiritus Bairradae, promovido pela Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, vai decorrer entre 11 e 26 de abril, com seis espetáculos realizados em igrejas.
Inspirado na relação secular entre a música erudita e os espaços religiosos, o ciclo decorre nas igrejas das paróquias do concelho de Oliveira do Bairro, locais que, ao longo dos séculos, acolheram e inspiraram a criação e interpretação de obras marcantes do património musical europeu.
Este enquadramento confere aos concertos uma dimensão estética e simbólica singular, proporcionando ao público uma experiência artística imersiva e autêntica.
Concerto
Folia Nova
Nova Música Antiga de Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre poesia portuguesa do século XVI
19 abril - domingo | 19h00
Igreja Matriz da Palhaça
Entrada livre
Ficha técnica
Sete Lágrimas
Filipe Faria e Sérgio Peixoto - direcção artística
Filipe Faria - voz, viola de mão de quatro ordens, percussão
Sérgio Peixoto - voz
Tiago Matias - guitarra barroca, guitarra romântica, vihuela
Programa
- Cumbe do 8° tom, anón. (s. XVII) (arr. Tiago Matias)
- Nunca foy mal nenhum moor, Filipe Faria (n.1976) e Sérgio Peixoto (n.1974) sobre poema de Bernardim Ribeiro (1482?–1552?)
- Endechas a Bárbara escrava, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre poema de Luiz Vaz de Camões (c.1524-1579/1580)
- Fandango, Santiago de Murcia (1673-1739) (arr. Tiago Matias)
- Lágrimas de saudade, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre poema anónimo (s.XVI)
- Amor loco, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre poema anónimo (s.XVI)
- Sarambeque de Abreu (s. XVII) (arr. Tiago Matias)
- Menina você que tem, lundun anón. (s. XVIII/XIX) (arr. Filipe Faria e Sérgio Peixoto)
- Es tan grave mi tormento, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre poema de Pêro de Andrade Caminha (1520-1589)
- Ojuelos graciosos, anón. Cancioneiro de Elvas (s. XVI) (arr. Filipe Faria e Sérgio Peixoto)
- Chacara 1º tom, António Marques Lésbio (1639-1709)
- Cantiga sua, partindo-se, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre poema de João Roiz de Castel-Branco († após 1515)
- Dicen que me case yo, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre poema de Gil Vicente (c.1465–c.1536)
- A la villa voy, anón. Cancioneiro de Elvas (s. XVI) (arr. Filipe Faria e Sérgio Peixoto)
- Folia, Gaspar Sanz (ca.1640-1710)
- A partida que me aparta, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre poema anónimo (s.XVI)
Sinopse
Filipe Faria e Sérgio Peixoto partiram de novo para o tempo, viajando pelo vasto território da língua, na sua métrica, ritmos e harmonias, como se levitassem entre-mundos, resgatando da poesia portuguesa dos séculos XV e XVI as palavras, para as reinventar em novos sons, novas melodias, trazendo-as para a contemporaneidade, em analepses de magia.
Os dois compositores escrevem novos vilancicos que compõem Folia Nova, como estações cronográficas da intemporalidade, usando da "folia" – no "Auto da Sibila Cassandra", de Gil Vicente (1465/1536), a folia, de origem portuguesa, é caracterizada como uma dança de pastores –, o seu tradicionalismo harmónico e rítmico, para um universo conceptual, diálogos de criatividade, novas linguagens.
O vilancico é uma das mais importantes expressões poéticas e musicais da Península Ibérica, muito popular e amplamente executado do século XV aos confins do século XVIII. Na sua forma primitiva era do profano. À bolina da sua popularidade, disseminou em sacro território, como uma heresia que lentamente se tornou hóspede da liturgia. (...)
Luís Pedro Cabral


